As nossas leituras - "Algarviana" de Mário Lyster Franco

 


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Motivado por um acentuado sentimento regionalista, Mário Lyster Franco (Faro, 1902 - Lisboa, 1984) dedicou grande parte da sua vida a enaltecer as gentes, as paisagens e a cultura do Algarve. Um dos meios que privilegiou para expressar aquilo a que chamou "algarviísmo" foi a escrita, legando à posterioridade um vasto conjunto de obras dedicadas à história e à cultura locais e regionais, assim como um sem número de artigos dispersos pela imprensa sobre a mesma temática. 

Dos muitos estudos e trabalhos literários da sua autoria, alguns deles resultantes de conferências e palestras proferidas um pouco por todo o país, destacam-se: O Algarve (1927, redigido para a Exposição de Sevilha); Guia-Álbum - I - Sotavento (1932); Na Romagem de Sagres (1937); Porque me orgulho de ser algarvio (1942); As ruinas romanas do Milreu (1942); As termas romanas de Monchique (1945); A pesca do atum na costa do Algarve: achegas para a sua história (1947); Breve notícia da presença dos judeus no Algarve (1978) e Algarviana (1982). 

"Fruto de muitas dezenas de anos de trabalho", segundo o autor, a Algarviana: subsídios para uma bibliografia do Algarve e dos autores algarvios (Volume I A-B) é considerada a obra de consagração do mesmo. Organizada alfabeticamente, possui um carácter enciclopédico e nela podemos encontrar, muitas vezes em conjunto com a respetiva ilustração, resenhas biográficas das personalidades mais célebres do Algarve, assim como informações bibliográficas de teses, folhetos, separatas, relatórios, estatutos, manuscritos e livros sobre temáticas algarvias. 
A singularidade desta obra reside na raridade e antiguidade dos documentos indexados por Lyster Franco, alguns deles cuja existência seria totalmente desconhecida nos dias de hoje não fosse a Algarviana. De salientar também as dificuldades sentidas na sua elaboração, tanto mais numa época em que não existiam outras obras similares, nem os meios atuais para levar a cabo trabalhos de investigação. Assim, Mário Lyster Franco, apresenta a Algarviana como "[…]fruto exclusivo da actividade própria realizada sem qualquer subsídio ou auxílio, sem possibilidades de frequentes deslocações à Capital e fruto apenas de elementos por si colhidos em consultas a milhares de livros e catálogos, de que possuía nas suas próprias estantes […]", confessando-se depois desanimado com os sucessivos entraves à publicação deste estudo. 

De facto, a obra só foi editada em 1982, numa altura em que o seu autor já se encontrava bastante debilitado, mas que ainda reuniu forças para viver com enorme euforia a publicação do primeiro volume (o único publicado até à atualidade) daquela que foi a obra da sua vida: Algarviana.

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