Artes de antigamente - o cadeireiro e as cadeiras de tabua



A cadeira tipicamente algarvia caracteriza-se por uma simplificada estrutura de madeira com fundo de atabua (uma planta, espécie de palha grossa, que, juntamente com o vime, cresce perto das ribeiras, sendo depois utilizada para fazer o assento das cadeiras e bancos tradicionais). 
Dada a sua fragilidade e dificuldade de preparação, a atabua, foi sendo substituída pelo cordel de sisal e de nylon, considerado mais durável e esteticamente mais bonito. Os fundos eram, normalmente, concebidos em três feitios diferentes: em xadrez, em espiga e em vaso, sendo os dois últimos os mais preferidos pela clientela. Cortadas em madeira de pinho bravo, de espaldar alto ou baixo, próprias para mesa, para costura, carteira escolar ou lareira, as cadeiras de atabua são hoje mera recordação. 





Em Loulé houve em tempos um cadeireiro, Luís António do Rosário, que persistiu neste mister mesmo depois dos avanços tecnológicos que fizeram da sua profissão algo do passado. Luís António do Rosário era natural de Castro Verde e neste local iniciou, com apenas 8 anos, a sua actividade como cadeireiro, seguindo as pisadas e os ensinamentos do seu pai. A partir de 1974, radicou-se em Loulé e montou uma pequena “oficina” na Rua Rainha D. Leonor. Luís António do Rosário foi o último cadeireiro de Loulé e com o seu desaparecimento findou-se também na urbe louletana esta arte secular.

Nota: Informação retirada de um texto da autoria de LuísaCristina Monteiro integrado na Agenda Municipal de Abril de 1999. 

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