As prendas de Natal de outrora
Nas primeiras décadas do século XX, não se falava em prendas pelo Natal. O povo do Barrocal e da Serra desconhecia por completo esse costume. Só na década de quarenta começam a aparecer os sapatinhos na chaminé. Uma laranja, guloseimas (as famosas sombrinhas de chocolate), ou uma boneca de trapos com braços e pernas em cana, eram as prendas que se metiam no sapatinho das crianças. Só os filhos das famílias mais abastadas tinham acesso aos chamados brinquedos. As crianças iam buscar os sapatos do pai, por ser o maior, e colocavam-nos junto ao fogo da lareira. Outras penduravam na chaminé uma meia do pai, sendo que quando as crianças eram mal comportadas os pais colocavam dentro do sapato ou da meia um rebuçado amargo.
Nas zonas mais a litoral colocava-se no sapatinho das crianças uma laranja, castanhas, bolotas aveladas ou rebuçados. Quando se portavam mal enchia-se o sapato de cascas de berbigão.
Nos anos em que o inverno se mostrava mais severo alguns pais ofereciam aos filhos uns sapatos que tinham de durar até ao Natal seguinte. Outras crianças recebiam uma camisa que era para ser vestida apenas ao Domingo e deveria também durar um ano inteiro.
As prendas eram dadas ou no dia de Natal ou no dia de Reis. Não havia uniformidade, mas o Menino Jesus era sempre o centro da festa, já que era Ele que oferecia os presentes às crianças. Nesta altura ainda não se falava de Pai Natal.
Nos finais do século XX, a ceia de Natal transformou-se num facto social e a ideia de um Natal cristão foi suplantada pelo consumismo desenfreado hoje instalado.



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