As Comemorações da Restauração da Independência de Portugal em 1940

Bom dia caros visitantes do "A Marafada Louletana".
Como amanhã é dia 1 de dezembro e prefazem 383 anos sobre a Restauração da Independêndia de Portugal, decidi escrever um pouco sobre um n.º comemorativo, publicado pelo jornal "O Século", em 1940, visando a celebração das datas de Fundação e Restauração de Portugal. Esta publicação, apesar de claramente propagandista do regime, é bastante e agradavelmente ilustrada, e versa sobre a obra executada pelo Estado Novo nas diversas terrinhas do Portugal de então, uma das quais, a nossa querida vila de Loulé. Daí o interesse deste livrinho para o nosso blog:
Numa Europa em que se assistia ao aparecimento e implementação de regimes políticos de cariz autoritário, Portugal não foi excepção, e, nesse sentido, em Março de 1938, Salazar anunciou a realização de uma grande comemoração do duplo centenário da independência (1140) e da restauração (1640) de Portugal para o ano de 1940. Tendo como objectivo primordial a consolidação do Estado Novo, as referidas comemorações alicerçaram-se numa forte máquina ideológica e propagandista que recorria ao passado e ao nacionalismo exacerbado para legitimar o regime actual.
Colocada ao serviço do Estado, a imprensa foi uma das formas utilizadas para publicitar o programa das Comemorações de 1940, assim como para dar a conhecer o grande número de obras públicas levadas a cabo pelo regime. O Século, diário fundado em Lisboa no ano de 1880, foi um dos periódicos a dedicar publicações suplementares às Comemorações de 1940. Assim, em Junho deste mesmo ano, com a colaboração de Queiroz Veloso, Mosés Amzalak, Albino Forjaz de Sampaio, Eduardo Brazão, Marcelo Caetano, entre muitos outros, a Sociedade Nacional de Tipografia publica um número extraordinário d’ O Século intitulado “O Século vem às comemorações dos centenários da Fundação e da Restauração de Portugal com o seu tributo de Espírito e Arte, que são valores eternos como a própria nacionalidade. Com esse tributo reafirma e consagra a maior Fé e Confiança na indestrutibilidade e na grandeza do Império Português, exemplo vivo e permanente do valor político e moral de uma raça”.

Este suplemento é constituído essencialmente por duas vertentes: por um lado, procura fazer uma súmula da história de Portugal, dando ênfase aos grandes feitos e figuras de outrora; por outro lado, relatada minuciosamente a obra do Estado Novo no âmbito dos Ministérios, Distritos, Juntas de Província e Municípios. Na página dedicada ao Município de Loulé é dada a ideia de progresso, salientando melhorias nas mais diversas áreas. Assim pode ler-se: “A gerência financeira do Município de Loulé nobilita os homens que se encontram à frente da sua administração. […] A organização do arquivo municipal onde se encontram documentos do século XV, cuidadosa e seriamente realizada, não foi por certo uma das menores obras. […] Os serviços de limpeza pública e a criação do lavadouro são o fecho desta abóbada de realizações.” Para além disso, é divulgado o plano de actividades da Câmara Municipal de Loulé, à altura presidida por José da Costa Guerreiro, para o ano de 1940. Deste plano destacam-se as seguintes pretensões: criação de um edifício dos Correios e da Agência da Caixa Geral de Depósitos; extensão da iluminação a um maior número de sítios do Concelho; criação de uma feira franca e de uma biblioteca.
Evidencia-se ainda neste suplemento o destaque dado à figura do louletano Duarte Pacheco e à sua obra enquanto ministro das obras públicas: “[…] o sr. Duarte Pacheco mudou, por completo, a fisionomia do País, dotando-o com milhares de importantes e urgentes realizações que eram considerados antes sonhos impossíveis. Não houve recanto do País, por mais humilde ou distante, onde não chegasse o seu braço de estadista. Alguns milhões de contos se gastaram em obras de interesse público, desde os grandes edifícios, portos e estradas até aos simples fontanários e lavadouros rurais.”
Na parte final desta edição suplementar encontramos uma reportagem fotográfica daquele que foi o evento mais marcante das Comemorações de 1940: a Exposição do Mundo Português. Inaugurada a 23 de Junho de 1940, a Exposição do Mundo Português foi um certame sem precedentes e, dados os recursos humanos e materiais que envolveu, o acontecimento político-cultural mais relevante do Estado Novo.


Nota:
Se tiverem interesse em conhecer melhor esta obra, encontram-na aqui!


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