Casimiro de Brito e o seu “Prisma de Cristal”: uma ode à liberdade e ao progresso


Bom dia caros visitantes de "A Marafada Louletana".

 

No Dia Mundial da Poesia prestamos homenagem ao saudoso Casimiro de Brito, um dos poetas que esteve na origem do movimento literário Poesia 61, um dos mais importantes e vanguardistas de finais do século XX.

 


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Nascido em Loulé, a 14 de janeiro de 1938, com apenas 18 anos, Casimiro de Brito cria, no jornal “A Voz de Loulé” uma página literária intitulada “Prisma de Cristal”. Entre outubro de 1956 e fevereiro de 1959 foram editados 26 números deste suplemento que, para além da mancha de texto, continha pequenas ilustrações de Manuel Cavaco Guerreiro. Em “Prisma de Cristal”, Casimiro de Brito publicou os seus primeiros poemas e escreveu sobre arte, cultura, cinema e filosofia, adotando um estilo disruptivo face ao conservadorismo cultural. Ao longo do tempo em que foi publicado, “Prisma de Cristal” tornou-se num espaço de criação e divulgação de um estilo poético nascido nos anos 50, reunindo num mesmo contexto poetas emergentes e outros já consagrados, não só oriundos do Algarve, mas também de todo o país, do Brasil, de África e de Espanha. No total, publicaram nestas páginas mais de quarenta poetas, destacando-se para além do próprio criador, nomes como António Ramos Rosa, Emiliano da Costa, Eduardo Olímpio, Vicente Campinas, Maria Rosa Colaço e o farense Gastão Cruz que publicou pela primeira vez na página com apenas 16 anos.

 

 


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Em 2021, o Município de Loulé prestou homenagem a Casimiro de Brito com a reedição de uma compilação fac-similada do “Prisma de Cristal”. 

 


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Casimiro de Brito deixou-nos em maio de 2024, mas o seu legado vive.

 



Do Poema

O problema não é

meter o mundo no poema; alimentá-lo

de luz, planetas, vegetação. Nem

tão-pouco

enriquecê-lo, ornamentá-lo

com palavras delicadas, abertas

ao amor e à morte, ao sol, ao vício,

aos corpos nus dos amantes —

o problema é torná-lo habitável, indispensável

a quem seja mais pobre, a quem esteja

mais só

do que as palavras

acompanhadas

no poema.

 

Casimiro de Brito

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