O Café Calcinha abriu portas há 96 anos...
Olá caros visitantes do "A Marafada Louletana".
Situado na Praça da República, o Café Calcinha abriu as suas portas em 5 de Junho de 1929.

Com uma arquitetura ao estilo dos cafés de cidades europeias da época, o Café Calcinha destacava-se dos demais edifícios que o ladeavam.
Ao longo da sua existência, o Café possuiu vários nomes, até que, na década de 60, adotou definitivamente a designação Café Calcinha.

Passando por diversas conjunturas políticas e socioeconómicas, o Café Calcinha conseguiu acompanhar as diferentes dinâmicas de cada época. Assim, até aos finais da década de 70 do século XX, o Café seguiu uma linha intelectual que se assemelhava ao género dos cafés de tertúlia que se disseminavam por Paris e pelas grandes cidades da Europa, o que o tornava num espaço sobretudo frequentado pela elite, existindo uma divisão quase imperceptível, mas sentida, que separava os mais ricos para um lado (direito) e os mais pobres para o outro lado do Café. De entre as figuras mais ilustres que frequentavam o estabelecimento destacam-se Frutuoso da Silva, Bernardo Lopes, Pedro de Freitas, Reais Pinto, José Inês, Quirino Mealha, José Magalhães, entre outros.

Não obstante, ainda durante este período, sobretudo a partir do fim do dia e pela noite dentro, o Café tornava-se num espaço onde se jogava e/ou onde se teciam considerações políticas em segredo.
Após a Revolução do 25 de Abril, as diferenças sociais dissiparam-se, cabendo lugar a todos, onde para além do que se podia consumir, se realizaram programas de rádio, saraus culturais, recitais, debates, conferências, entre tantas outras inicitiavas.
O século XXI trouxe mais projetos para o Café Calcinha, com a intenção da sua valorização cultural e patrimonial, mantendo toda a sua imagem e charme, garantindo qualidade intemporal.

Imóvel de Interesse Municipal desde 2012, o Café Calcinha foi adquirido pela Câmara Municipal de Loulé em 2015, sendo posteriormente objeto de restauro e reabilitação, reabrindo com em 2017.
Integra, desde 2014, a Rota dos Cafés com História de Portugal.
O Café Calcinha está também intimamente associado ao poeta António Aleixo, que embora fosse economicamente desfavorecido, era frequentemente convidado a entrar neste estabelecimento pelo Dr. Bernardo Lopes e por algumas outras individualidades que apreciavam as suas quadras de caráter repentista. Terá sido no Café Calcinha que teve lugar a maior parte da produção poética de Aleixo. O poeta popular costumava também sentar-se junto à entrada deste estabelecimento e aí, espicaçado pelos que passavam, dizia as suas quadras. Estes momentos foram eternizados numa estátua do poeta, do escultor Lagoa Henriques, colocada na esplanada do Café Calcinha.



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