Andar ao rabisco
Olá caros visitantes do "A Marafada Louletana".
No Algarve, sobretudo no Barrocal e na Serra, nos meses de verão inicia-se a época do varejo, isto é, a colheita ou apanha dos frutos secos, ouvindo-se o som típico das varas de madeira ou cana a sacudir a copa das árvores. Esta tarefa tem o intuito de fazer cair os frutos e, uma vez no solo, apanhá-los para dentro das típicas alcofas de empreita e, posteriormente, ensacá-los em sacas de linho ou serrapilheira. Este trabalho, atualmente um pouco menos duro com a introdução de alguma mecanização, continua a ter as suas dificuldades, uma vez, que normalmente decorre em períodos de calor extremo e nalguns terrenos bastante acidentados. Os pequenos produtores continuam a fazê-lo da forma tradicional, beneficiando apenas de melhores condições no que diz respeito ao transporte dos frutos.

© Lígia Laginha
Noutros tempos, o fim do calendário do varejo era o dia do Arcanjo S. Miguel, 29 de setembro. Começava então o “rabisco”. Derivado da palavra “rabusco” ou “rebusco”, mais utilizada no Norte do nosso país, “rabisco” significa que qualquer um pode percorrer os terrenos anteriormente varejados e apanhar os frutos que os proprietários deixaram nas árvores. Pensa-se que esta tradição surgiu por uma questão de caridade, pois antigamente a economia dos frutos secos era bastante rentável e deixar alguns deles nas árvores, ainda que poucos, era considerado uma espécie de “esmola” para os mais pobres.

© Lígia Laginha
Nos nossos dias, já não é costume “andar ao rabisco”, ainda assim os mais velhos amiúde falam dessa época com saudade e dessa forma não deixam morrer a tradição.


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