Burricadas - Burro Safari de Alte

Entre 1970 e 1974/75, realizavam-se em Alte as famosas “burricadas” — safaris de burro que percorriam vários pontos da freguesia durante todo o dia, nos meses de verão.
Cerca de 40 turistas estrangeiros chegavam por volta das 9h, cada um montava o seu burro e partia à descoberta da serra. A iniciativa era organizada por José Manuel, natural de Alte, e o seu sogro dinamarquês, guia turístico, através da “Burro Safari de Alte”. Como só tinham 22 burros, alugavam os restantes nas redondezas, até aos Soidos.
O passeio começava na Fonte Pequena, com figos secos, miolo de amêndoa e biscoitos acompanhados de aguardente de medronho. Subiam pelo serro da Francelheira, passavam pelos depósitos de água, o forno da Nossa Senhora, o miradouro da Atalaia, Santa Margarida e seguiam até ao moinho dos Curralões, onde almoçavam saladas, ovos cozidos, conservas, vinho e a famosa aguardente de “quase tudo” do Chico Viriato.

Depois, desciam até às Valinhas, onde tomavam banho no tanque da horta do Sr. José Cavaco Vieira e bebiam mais um pouco de vinho. Mais à frente, enquanto um burro tirava água da nora, a jovem Maria Rodrigues vendia artesanato feito por ela, como cestos, alforges ou vestidos. O percurso seguia pelos Termos e terminava na Fonte Pequena ou na Fonte Grande, com sardinhada e sangria, acompanhado com baile e danças do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte.

As burricadas promoviam as tradições de Alte de forma única, mas exigiam muito trabalho. José Manuel, por exemplo, guiava o passeio, assava sardinhas e ainda dançava no grupo folclórico. A cobertura fotográfica era feita pelo fotógrafo Lucas, vindo de S. Bartolomeu de Messines. Em dias com dois grupos, o percurso era encurtado até ao Passul.
As burricadas marcaram uma época em Alte, combinando turismo, tradição e autenticidade. Foram mais do que simples passeios — foram experiências culturais vivas, onde se partilhavam sabores, histórias e paisagens. Hoje, são lembradas com carinho como um exemplo criativo de como mostrar o melhor de uma terra, com simplicidade, esforço comunitário e muito espírito.
Nota:
Texto da autoria de Sónia Silva publicado na página do Museu Municipal de Loulé no Facebook em 4 de junho de 2025.


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