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Barbearia de José Clareza
© António Clareza
Situada na Rua 5 de Outubro, mais conhecida por Rua das Lojas, a barbearia de José de Sousa Clareza era um espaço algo singular, já que durante décadas foi considerada como que um “conservatório de ouvido”. O mestre barbeiro e tocador de guitarra e bandolim José Clareza, transmitia os seus conhecimentos musicais aos clientes, nomeadamente na década de sessenta, quando os mais jovens começaram a querer imitar os Beatles e outros grupos semelhantes.
Os instrumentos encostados a um canto da velha barbearia, estavam sempre à disposição de quem chegasse e lhe apetecesse interpretar qualquer trecho que soubesse. Na Barbearia de José Clareza nasceu o 1º grupo musical de Loulé, da chamada música Yé-Yé, os “Caveiras Negras”. Mas antes da chegada da música dos anos sessenta, já outros músicos mais velhos ali se reuniam e ensaiavam serenatas muito populares na época, tais como José Azevedo, Lela Azevedo, Nico e Manuel Sopeira.
António Aleixo era assíduo frequentador da barbearia de José de Sousa Clareza, passando ali muitas horas dos seus dias em amena cavaqueira, deliciando com a sua poesia repentista os presentes naquele espaço e desenvolvendo com José Clareza uma profunda amizade. Pouco antes de falecer, António Aleixo pediu ao Mestre Clareza que lhe tocasse uma serenata. José Clareza e outros amigos cumpriram a última vontade do poeta, dedicando-lhe uma serenata poucas horas antes deste falecer na madrugada de 16 de novembro de 1949.

José de Sousa Clareza desenhado por Carlos Vila
© Museu Municipal de Loulé
Quem foi José de Sousa Clareza (Loulé, 1909 - Loulé, 1984)?
José de Sousa Clareza (Ginha, para os amigos) nasceu na freguesia de S. Clemente. Com apenas dois anos de idade ficou órfão, tendo sido criado por um padrinho que era relojoeiro e residia em Faro. Aos 14 anos, regressado a Loulé, escolheu a profissão de barbeiro, aprendizagem que iniciou numa barbearia situada no Mercado Municipal de Loulé. Posteriormente, exerceu a profissão na Rua D. Paio Peres Correia e em seguida no Largo D. Afonso III. Nos finais da década de 30, aluga um espaço seu na Rua 5 de Outubro, no nº 78, lugar que manteve até ao seu falecimento. A Barbearia Clareza foi durante essas décadas lugar de grande convívio entre clientes, amigos e aprendizes de bandolim e viola já que o Mestre Clareza, sendo autodidata na arte de tocar bandolim, guitarra portuguesa e viola, passava os seus conhecimentos generosamente a quem a ele recorria.
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