A freguesia de Almancil nasceu há 189 anos!

Em 1836, Portugal conheceu uma das mais importantes reformas administrativas da história do país. Decorria ainda a guerra civil (1832-1834), quando esta reforma começou a ganhar corpo através da publicação do decreto de 16/05/1832, gizado por Mouzinho da Silveira. Vitorioso, o Liberalismo deu lugar a novos decretos, dos quais se destaca o de 6 de novembro de 1836 que, entre outros aspetos, reduziu para 351 os mais de 800 concelhos que existiam em Portugal Continental no início do século XIX. Criado pelo Ministro do Reino, Passos Manuel, a implementação deste decreto não foi fácil, gerando até alguma convulsão social por parte das populações que queriam maior ou menor autonomia.
 
No Algarve, apenas quatro concelhos (Sagres, Aljezur, Alvor e Castro Marim) e duas freguesias foram suprimidas (Nossa Senhora do Verde, pertencente a Monchique, e São João da Venda, então parte do Concelho de Faro). A eliminação desta última daria lugar à criação da freguesia de Almancil. Citando João Baptista da Silva Lopes (1841), Ataíde Oliveira (1905) escreve na “Monografia do Concelho de Loulé”: “Da freguezia de Loulé cortou a Junta do Distrito de 1836… para formar a freguezia de Almancil, denominada S. Lourenço dos Matos de Almancil, larga porção de terrenos, que se juntaram à antiga freguezia de S. João da Venda, que é suprimida, sendo substituída por aquela.” Silva Lopes acrescenta ainda, referindo a igreja de S. Lourenço de Almancil: “Esta egreja é notável pela belleza com que estão pintados os azulejos, de que todas as paredes estão revestidas, e todos os passos da vida do santo, e pela delicadeza do altar, cujas almofadas são de alabastro preto e de várias cores, colhido ali mesmo. Tem de rendimento oitenta mil reis, bons paramentos, casas sufficientes, que podem servir para a residência do parocho; pelo que a todos os respeitas foi bem formada esta nova freguezia, que no decreto de 6 de novembro de 1836 vem mencionada em a nova divisão administrativa.”
 

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Somente em 1849, a sede da paróquia foi mudada para a Igreja de São Lourenço, “[…] sendo aumentada com parte da antiga freguezia de S. Clemente de Loulé, ficando assim denominando-se a nova freguezia: S. João Baptista e S. Lourenço de Almancil.”
 

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Ataíde Oliveira enumera ainda os diversos sítios que à altura compunham a freguesia de Almancil e que incluíam toda a antiga freguesia de S. João da Venda, bem como os “[…] seguintes sítios desmembrados da freguezia de Loulé: Sitio d’Almancil, comprehendendo Garrão, Galvão e Ancão; do sitio das Pereiras, comprehendendo Poço Quebrado, Monte Estaco e Areias de S. João; do sitio das Ferrarias, que comprehende Caiados, Serro d’Afar, Palmeira Benta e Vargens; do sítio de Moinhos, que comprehende Gondra e Farrobilhas; do sitio de Barreiros Vermelhos e do Valle d’Egoas, que comprehende Serro do Mocho, Monte d’Olival e Barrocal e do Vale Formoso.”
 
Nota bibliográfica: 
 
Oliveira, Ataíde. Monografia do Concelho de Loulé (1905);
Tomás, Ana; Valério, Nuno. O Decreto de 6 de Novembro de 1836. Leia aqui.
Cabrita, Aurélio. O Concelho de Silves e a reforma administrativa de 1836 ( As lutas pelas freguesias de Alcantarilha, Pêra e Porches). Leia aqui.  
 
 
 
 
 
 

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