Lagares de azeite

Bom dia caros visitantes do "A Marafada Louletana".

 

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📷Vale Telheiro, Loulé, Azeitonas acabadas de colher
© Lígia Laginha
 
Estamos na época da colheita da azeitona, um momento que tem evoluído e se tem adaptado ao longo dos tempos. Tempos esses em que os lagares de azeite marcavam o ritmo da vida nas aldeias. Durante a época da colheita, o som das azeitonas a cair nos cestos, o cheiro intenso da azeitona a ser esmagada e prensada – por entre os capachos de esparto, alguns dos quais fabricados em Alte (“Folha de Alte”, 1925) – enchiam o ar. Cada lagar era um ponto de encontro, um lugar onde vizinhos se juntavam, trocavam histórias, trabalhavam lado a lado e celebravam a chegada do azeite novo, com a tradicional tiborna – molhando o pão quente (acabado de sair do forno) no azeite novo polvilhado com sal e esfregado no alho esmagado. Era mais do que uma atividade económica: era cultura, tradição e identidade.
 

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Hoje, porém, com a modernização da agricultura, a mecanização intensa, a diminuição da mão de obra rural e o abandono de propriedades, os lagares – essas instalações históricas – encontram-se encerrados e com eles tem-se perdido parte da vivência comunitária que os caracterizava. Com menos lagares em funcionamento, também desapareceu um modo de vida que unia gerações em torno da oliveira e da produção artesanal.
 
Em meados do século XX trabalhavam, em Alte, três lagares, ao longo da E.N. 124. Podemos identifica-los no mapa entre as diversas atividades económicas nos finais do XIX e primeira metade do século XX.
 

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📷Mapa de atividades económicas na aldeia de Alte (finais do séc. XIX - 1.ª metade do século XX)
© Museu Municipal de Loulé
 
Entretanto tiveram outros usos, como salão de baile, cinema ambulante, armazém de alfarroba, oficina de motorizadas… e hoje encontram-se todos desativados.
 

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📷Antigo lagar de azeite, em Alte
© Museu Municipal de Loulé
 
Ainda assim, os lagares que permanecem em atividade, embora escassos, guardam a memória desse passado. Representam resistência, tradição e a ligação profunda das pessoas à terra. Cada gota de azeite produzida mantém viva uma herança que, mesmo reduzida, continua a pulsar na identidade das regiões mediterrânicas.
 
Nota:
 
Texto publicado na página do Museu Municipal de Loulé no Facebook em 26 de novembro de 2025. 

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