Em defesa das amendoeiras floridas
© Museu Municipal de Loulé / Coleção Pedro de Freitas
Olá caros visitantes do "A Marafada Louletana".
No Inverno, um pouco por todo o Algarve, os amendoais pintam a paisagem de branco e rosa. Outrora, os amendoais em flor foram tema de inúmeros postais turísticos, assim como o destino de diversas excursões realizadas pela CP.
Por vezes, o entusiasmo dos visitantes era tanto que estes procuravam levar consigo um bocadinho da “neve do Algarve”. Esta situação tornou-se tão recorrente que encontramos no jornal “O Louletano” de 31 de janeiro de 1935, um artigo intitulado “Defendamos as amendoeiras!”. Assinado por Rui de Chelb (pseudónimo de Ricardo Lino Correia), o texto começa por sublinhar o Algarve como destino turístico de inverno: “A C. P. e as emprezas de camionagem bem compreenderam isso e, no intuito de fomentar os seus capitais, têm organisado excursões, a preços reduzidos, para permitir às classes menos abastadas o apreciar também aquele magnífico espetáculo. Essas excursões caíram de tal modo no ânimo do público que ultimamente se têm repetido com muita frequência, trazendo, principalmente da capital, muitas centenas de pessoas.” Acrescentando depois que “Não raro, os visitantes procuram levar um testemunho da sua passagem por aqui, e, como as amendoeiras são a nota mais proeminente do conjunto, estas é que são, quasi sempre, as vítimas escolhidas para o sacrifício. E é vê-los transportar, desde os raminhos que servem para ornamentar as Iapelas e os chapéus, até aos enormes galhos com que enfeitam os carros, milhões e milhões de flores, o que representa uma autêntica devastação, um verdadeiro crime.” Rui de Chelb sugere então que as Comissões de Iniciativa e Turismo façam “espalhar por todas as estradas da província grandes letreiros que recomendassem a protecção àquelas árvores. Esses letreiros, que poderiam conter o aviso "não tocar nas amendoeiras", ou outro equivalente, deveriam ser feitos em português, em inglês e em francês, para melhor corresponderem ao fim em vista”.
Nota:
Leia o artigo completo de Rui de Chelb aqui: https://shorturl.at/SHPf5



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