O lugar da água nas casas do Barrocal Algarvio

 


Bom dia caros visitantes do "A Marafada Louletana".

Este inverno foi particularmente chuvoso, mas no Algarve, historicamente, a regra tem sido, a irregularidade da água e verões cada vez mais longos. Essa realidade levou, ao longo do tempo, as populações a desenvolver estratégias eficazes de captação, armazenamento e gestão da água.

No Dia Mundial da Água é relevante olhar para o passado e perceber como, no barrocal algarvio, nomeadamente no concelho de Loulé, a arquitetura vernacular traduz a estreita relação entre o homem, o território e a escassez de recursos hídricos. A água condicionou desde cedo a implantação das povoações, frequentemente associadas a poços, noras ou cursos de água, e marcou profundamente a organização das habitações.

Construídas com materiais locais, como a pedra calcária, o barro e a cal, as casas do barrocal integram a cisterna como elemento central, garantindo o abastecimento doméstico durante os longos períodos de estiagem. A água da chuva era recolhida pelos telhados de duas ou quatro águas, conduzida através de caleiras, e encaminhada para o reservatório subterrâneo. O eirado, muitas vezes construído sobre a cisterna, reforçava este sistema de captação, acumulando também funções ligadas à economia rural, como a secagem de figos, alfarrobas ou amêndoas.




A gestão da água prolongava-se para o interior da casa, onde o poial, normalmente junto à entrada ou à cozinha, servia de apoio aos cântaros de barro usados no transporte e conservação da água, mantendo-a fresca no quotidiano doméstico.


Para conhecer melhor esta herança ligada à água e à vida no barrocal, convidamo-lo a visitar o Polo Museológico da Água, em Querença. de segunda a sexta-feira das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. 


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