José António Madeira e o sonho de criar uma biblioteca-museu em Loulé
Bom dia caros visitantes do "A Marafada Louletana".
Hoje voltamos a falar de José António Madeira e de uma das suas maiores aspirações: dotar a sua terra natal de uma biblioteca-museu.
José António Madeira (1896–1976), engenheiro geógrafo, astrónomo e investigador natural de Loulé, foi uma figura marcante da vida científica e cultural portuguesa do século XX. Autor de uma extensa bibliografia, tanto em áreas científicas como na promoção do Algarve como destino turístico, lutou pelo desenvolvimento da sua terra natal, destacando-se a sua ação em prol da criação de uma biblioteca-museu municipal, à qual viria a doar os seus próprios livros.
Numa comunicação apresentada em 21 de junho de 1960 ao Conselho Superior Regional da Casa do Algarve, em Lisboa, mais tarde publicada numa separata do jornal “A Voz de Loulé” intitulada “A Biblioteca-Museu de Loulé e a sua organização”, José António Madeira destaca que, apesar dos progressos sociais, económicos e turísticos que Loulé conhecia à época, possuía uma lacuna significativa no domínio cultural: a ausência de uma biblioteca e de um museu. Defendia que o desenvolvimento cultural devia acompanhar o das outras áreas, alertando para o risco de se concentrarem as instituições culturais apenas nos grandes centros urbanos, deixando as vilas e cidades mais pequenas à margem.
Para colmatar esta falha, propunha a criação de uma Biblioteca-Museu em Loulé, que servisse não apenas como centro de leitura, mas também como espaço de preservação e valorização do património local. A organização da Biblioteca-Museu deveria assentar numa comissão central ou concelhia, com subcomissões espalhadas por várias regiões do país onde vivessem louletanos. Estes conterrâneos, ligados afetivamente à sua terra, poderiam contribuir com legados e doações, enriquecendo assim o acervo da instituição. José António Madeira apresentou também uma extensa lista de nomes de louletanos que poderiam integrar uma futura Liga dos Amigos da Biblioteca-Museu de Loulé.
José António Madeira concluiu o seu discurso expressando o desejo de doar, em tempo oportuno, “[…] os livros, documentos pertinentes e valores filatélicos a favor da Biblioteca-Museu de Loulé; dádiva simbólica e de pequena monta mas que traduz a gratidão pela terra onde iniciei as primeiras letras e senti o surgimento da minha débil inteligência”.



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