O Massacre de Loulé foi há 193 anos...
Imagem retirada dea obra "Quadros de Loulé Antigo" de Pedro de Freitas
(digitalmente modificada)
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O massacre de Loulé, ocorrido a 24 de julho de 1833, foi um dos episódios mais violentos da guerra civil portuguesa, conflito que opôs liberais e absolutistas durante a primeira metade do século XIX. De um lado estavam os partidários de D. Pedro, defensores da monarquia constitucional e do liberalismo; do outro, os apoiantes de D. Miguel, que defendiam o regresso ao absolutismo.
Após o desembarque das tropas liberais no Algarve, em junho de 1833, o liberalismo foi rapidamente implantado na região. Contudo, com a partida do duque da Terceira para Lisboa, as forças miguelistas reorganizaram-se no Algarve sob o comando de Remexido e do major André Camacho, preparando uma contraofensiva absolutista.
Em Loulé, o clima de tensão agravou-se depois de alegados atos de profanação ocorridos na igreja de Salir, atribuídos a soldados e simpatizantes liberais. O episódio revoltou as populações serranas e facilitou o recrutamento de homens para a guerrilha miguelista liderada por Camacho. Assim, na noite de 23 para 24 de julho, milhares de guerrilheiros cercaram a vila de Loulé, impedindo a fuga da população antes do ataque.
Na manhã de 24 de julho iniciou-se a ofensiva.
Sobre esse momento escreveu Ataíde Oliveira: “Quando a villa acordou do seu somno da indolencia, viu-se cercada. Seguiu-se a hecatombe.”
Seguiram-se perseguições, saques e assassinatos em várias ruas da vila, como a Corredoura, Santo António e Barbacã. Casas foram invadidas e destruídas, enquanto muitos habitantes eram mortos a tiro, à paulada ou com armas brancas. Entre as vítimas encontravam-se soldados franceses, funcionários públicos, comerciantes, militares e civis. Em muitos casos, às motivações políticas juntaram-se vinganças pessoais e ajustes de contas entre vizinhos.
O número exato de mortos permanece incerto. Algumas fontes apontam para cerca de 30 vítimas, enquanto outras elevam o número para quase meia centena. Além dos mortos registados oficialmente, acredita-se que vários corpos tenham sido enterrados sem qualquer registo. Nos dias seguintes, a violência continuou, com novos assassinatos e perseguições.
Depois do massacre, D. Miguel foi proclamado em Loulé e foi nomeada uma nova vereação municipal fiel ao regime absolutista.
Com a vitória definitiva do liberalismo em 1834, muitos habitantes apresentaram pedidos de indemnização pelos prejuízos sofridos, descrevendo o saque e destruição das suas casas, bens e estabelecimentos comerciais.
O massacre de Loulé, juntamente com a chacina de Albufeira conduzida por Remexido, ficou na memória como um dos momentos mais sangrentos da guerra civil no Algarve, refletindo a violência política, o clima de medo e as profundas divisões que marcaram Portugal no século XIX.
Fontes:
1. ATAÍDE OLIVEIRA, Francisco Xavier de – Monografia do Concelho de Loulé. 4.ª ed. Algarve em Foco, 1998.
2. MESQUITA, José Carlos Vilhena – «O Remexido e a Resistência Miguelista no Algarve». Al-'Ulià – Revista do Arquivo Municipal de Loulé, n.º 13, 2009.
3. CABRITA, Aurélio - "24 de julho de 1833, o dia em que o Camacho comandou o "massacre" de Loulé". Sul Informação, 23/07/2017.



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